Alunos com Altas Capacidades: Identificar, desafiar, incluir turma D19T01
Apresentação
Esta ação de formação pretende apoiar os docentes na identificação, compreensão e resposta educativa às necessidades dos alunos com altas capacidades, no contexto da sala de aula e da escola. Partindo de enquadramentos teóricos atuais sobre sobredotação/altas capacidades e dos referenciais do sistema educativo português, serão exploradas características destes alunos, possíveis sinais de sub-rendimento e risco de desmotivação, bem como estratégias práticas de diferenciação pedagógica e enriquecimento curricular que promovam a inclusão, o bem-estar e o desenvolvimento integral. A ação combina momentos expositivos breves com análise de casos, trabalhos de grupo e partilha de experiências, visando dotar os participantes de ferramentas concretas transferíveis para a sua prática profissional. A ação beneficia ainda da experiência havida em Konya, Turquia, em contexto de atividade de mobilidade Erasmus+ para observação de práticas, na escola Konya Bilim ve Sanat Merkezi, em outubro de 2025. A ação enquadra-se no âmbito da formação de curta duração por: • Responder a uma necessidade específica e atual das escolas: a identificação e a resposta educativa aos alunos com altas capacidades, muitas vezes invisíveis ou mal compreendidos, com impacto direto na sua inclusão, motivação e sucesso académico. • Focar um tema de natureza científica e pedagógica, diretamente relacionado com o exercício profissional docente e com as exigências do sistema educativo português em matéria de educação inclusiva, diferenciação pedagógica e equidade. • Promover o desenvolvimento de competências profissionais específicas em tempo reduzido, através de uma intervenção formativa concentrada e orientada para a prática (3 horas), adequada ao formato de atualização e aprofundamento pontual de conhecimentos. • Contribuir para a melhoria da qualidade das práticas de avaliação, planificação e gestão do currículo, atendendo à diversidade de perfis dos alunos, tal como preconizado pelos normativos de educação inclusiva e pelo Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. A ação tem relação direta com o exercício profissional dos docentes porque: • Aborda conceitos, modelos e evidência científica sobre altas capacidades, essenciais para uma identificação adequada e fundamentada, evitando estereótipos e falsas crenças. • Foca a observação em contexto de sala de aula, a leitura de indicadores escolares (desempenho, comportamento, motivação) e a articulação com outros profissionais (educação especial, psicologia, direção), competências centrais na intervenção docente. • Trabalha estratégias pedagógicas de diferenciação, compactação curricular, enriquecimento e extensão de tarefas, que os professores podem aplicar diretamente nas suas turmas na planificação, condução e avaliação das atividades de ensino. • Contribui para a construção de ambientes de aprendizagem inclusivos, que valorizam a diversidade de ritmos, interesses e potencialidades, promovendo o bem-estar, o envolvimento e o sucesso de todos os alunos, incluindo os que revelam altas capacidades.
Destinatários
Educadores de Infância, Professores do Ensino Básico, Secundário e Educação Especial
Releva
Despacho n.º 5741/2015 - Enquadra-se na possibilidade de ser reconhecida e certificada como ação de formação de curta duração a que se refere a alínea d) do n.º 1 do artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 22/2014.
Objetivos
• Definir o conceito de altas capacidades/sobredotação, conhecendo principais modelos teóricos e características associadas. • Identificar sinais de possíveis altas capacidades em contexto de sala de aula, incluindo perfis menos visíveis (alunos desmotivados, com comportamentos de oposição ou com dupla excecionalidade). • Reconhecer riscos associados à não identificação ou à resposta inadequada (sub-rendimento, desmotivação, abandono emocional da escola, problemas de comportamento). • Planificar estratégias de diferenciação pedagógica que proporcionem desafio adequado, aprofundamento e enriquecimento curricular para alunos com altas capacidades, sem comprometer a inclusão no grupo-turma. • Selecionar e adaptar atividades concretas de enriquecimento (projetos, tarefas abertas, contratos de trabalho, mentorias, recursos digitais) para diferentes áreas disciplinares. • Refletir sobre o papel da escola e do professor na construção de percursos diferenciados, articulando com a educação especial, psicologia e família.
Conteúdos
Módulo 1 – Enquadramento conceptual e normativo (≈ 45 min) Conceitos base: altas capacidades, sobredotação, talento, precocidade. Principais modelos teóricos (ex.: modelos multifatoriais, abordagem do potencial e do desempenho). Perfis de alunos com altas capacidades: académicos, criativos, artísticos, socioemocionais; perfis “invisíveis” e dupla excecionalidade. Referenciais e enquadramento no sistema educativo português (educação inclusiva; princípios de equidade e diferenciação). Módulo 2 – Identificação em contexto educativo (45 min) Sinais de alerta na sala de aula: cognitivos, comportamentais, emocionais e sociais. Fontes de informação: observação do professor, resultados académicos, produções dos alunos, participação em projetos, informação da família e de outros técnicos. Mitos e preconceitos sobre altas capacidades (ex.: “não precisam de apoio”, “têm sempre bons resultados”). Análise de vinhetas/casos práticos: leitura de situações e discussão em pequenos grupos. Módulo 3 – Resposta pedagógica: desafiar e incluir (1 h 15 min) Princípios da diferenciação pedagógica e da flexibilização curricular aplicados a alunos com altas capacidades. Estratégias em sala de aula: Tarefas abertas e de maior complexidade cognitiva. Compactação e aceleração seletiva de conteúdos. Enriquecimento horizontal e vertical (projetos de pesquisa, resolução de problemas reais, produção de recursos). Contratos de trabalho, planos individuais de aprofundamento. Atividades de enriquecimento curricular: Clubes (ciência, robótica, escrita, artes), projetos interdisciplinares, participação em concursos e desafios externos. Mentoria, tutoria entre pares, recursos digitais avançados. Gestão da dinâmica de turma: Como diferenciar sem criar rótulos ou injustiças percebidas. Comunicação com o grupo-turma e com a família. Trabalho final de síntese: em grupos, desenho de um breve Plano de intervenção para um caso-tipo, com partilha em plenário.
Metodologias
A ação seguirá uma metodologia de Palestra com trabalho de grupo final.
Modelo
A ação será avaliada pelos formandos através do preenchimento de um questionário on-line.
Anexo(s)
Observações
Referências: Direção-Geral da Educação & ANEIS. (2017). Altas capacidades e sobredotação: Guia para professores e educadores. Ministério da Educação. Pereira, M. A. (2013). Sobredotação: Perspetivas teóricas e práticas educativas. Porto Editora. Oliveira, E. P. L. (2007). Alunos sobredotados: A aceleração escolar como resposta educativa [Tese de doutoramento, Universidade do Minho]. Oliveira, M. A. L. (2019). Sobredotação: Propostas para práticas educativas no domínio da escrita [Dissertação de mestrado].
Formador
Maria Rosalina Afonso Rodas Veiga
Margarida Peixoto Marques
Cronograma
| Sessão | Data | Horário | Duração | Tipo de sessão |
| 1 | 11-02-2026 (Quarta-feira) | 16:00 - 19:00 | 3:00 | Presencial |